O amor trágico em “Romeu e Julieta”

“Só ri de cicatrizes quem nunca sentiu na própria pele uma ferida”. (William Shakespeare, “Romeu e Julieta”)           

Nascida da tradição oral, a história de Romeu e Julieta tem suas origens ainda na Grécia Antiga, aproximando-se do mito de Píramo e Tisbe, imortalizado na obra “Metamorfoses”, de Ovídio. Essa trágica história de amor chega à Europa no século XVI, sendo narrada em diferentes versões na Itália, França e Inglaterra, mas é com a peça de William Shakespeare que a tragédia de Romeu e Julieta alcança o mundo, tornando-se o símbolo do amor levado ao extremo e ganhando adaptações nas mais diversas formas de manifestação artística.


Estima-se que a peça tenha sido criada por Shakespeare entre os anos de 1591 e 1596 e que ele tenha tomado como ponto de partida o poemeto “The tragical history of Romeus and Juliet”, escrito por Arthur Brooke.


Ambientada em Verona, na Itália, a obra gira em torno do confronto entre duas famílias inimigas – Capuleto e Montecchio – cujo ódio rompe todas as barreiras possíveis e chega a provocar uma guerra civil.


Em meio a esse cenário de conflito, nasce o amor entre Romeu e Julieta, dois jovens que ultrapassam uma infinidade de obstáculos em nome do que sentem. O casal se conhece em um baile de máscaras, no qual Romeu tentava esquecer o amor não correspondido que nutria por Rosalinda. Tomados pelo amor à primeira vista, o casal mergulha de corpo e alma naquilo que sente, abandonando todos os desejos da família para viver esse amor.


Com a ajuda do Frei Lourenço, os jovens casam-se escondidos, mas, após uma briga que acaba provocando a morte de Mercúrio, amigo de Romeu, e de Teobaldo, primo de Julieta, Romeu é condenado ao exílio e Julieta vê-se obrigada pela família a se casar com Páris.


Diante desse novo drama, a jovem pede ajuda ao Frei Lourenço, o qual lhe dá uma poção que a deixa com a aparência de morta por um dia. Ela escreve uma carta ao amado explicando o plano. Romeu, porém, não a recebe e, diante da dor de ter perdido Julieta, toma um veneno e morre ao lado do corpo da jovem. Ao acordar, Julieta não suporta o peso de viver sem seu amado e crava um punhal em seu peito.


A morte trágica dos dois jovens apaixonados faz com que as famílias inimigas selem um acordo de paz e que Romeu e Julieta tornem-se símbolos do amor levado às últimas consequências. Para os dois jovens, não seria possível viver sem ter a pessoa amada ao seu lado, assim, a morte revela-se como o único caminho possível.


Essa é a única tragédia lírica de Shakespeare e, embora não seja considerada pela crítica a sua peça mais importante, sem dúvida, é uma das mais famosas histórias de amor da literatura universal e nos brinda com trechos belíssimos como a cena do balcão em que Julieta expressa toda a força do sentimento amoroso:
“Minha afeição é como um mar, sem fim, 
Meu amor tão profundo. Mais eu dou      
Mais tenho, pois são ambos infinitos”.

(Shakespeare, 1997, p. 79)

Referências:

HELIODORA, Bárbara. “Os Teatros no Tempo de Shakespeare”. In: LEÃO, Liana de Camargo; SANTOS, Marlene Soares dos. Shakespeare, sua época e sua obra. Curitiba: Editora Beatrice, 2008.

SHAKESPEARE, William. “Romeu e Julieta”. Tradução e Introdução de Bárbara Heliodora. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011.

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