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O Turco: a misteriosa máquina de Xadrez que venceu Napoleão

Conheça a história de ” O Turco”, a misteriosa máquina Jogadora de Xadrez, inventada no Século XVIII, que impressionou e derrotou enxadristas famosos do mundo todo. Entre seus admiradores e vencidos estão nomes como Napoleão Bonaparte, Benjamin franklin e Edgar Allan Poe.

No outono de 1769, após assistir a uma apresentação do ilusionista francês Joseph Pelletier na corte de Viena, o engenheiro Wolfgand von Kempelen afirmou que construiria um autômato capaz de superar tudo que havia sido exibido naquela noite. Seis meses depois, von Kempelen apresenta uma máquina que joga xadrez e responde, através de um tabuleiro, questões diretas.

Batizada como “Turco”, a invenção era composta de um boneco de um ser humano em tamanho natural, vestido com trajes turcos, sentado diante de uma mesa, em forma de caixa, com um tabuleiro de xadrez no topo, gavetas e portinholas pelos lados.

A cada apresentação, o Turco causou fascínio por onde passou e despertou diversas tentativas de elucidar o mistério que havia por trás de uma máquina capaz de reproduzir movimentos e estratégias de grandes jogadores de xadrez e vencê-los diante de plateias lotadas da Europa e da América.

Além do interesse que a engenhoca em si despertava, von Kempelen era um excelente apresentador, tendo o dom de deixar o público totalmente envolvido com sua performance durante a apresentação do espetáculo, o que contribuía muito para que todo o truque de ilusionismo pudesse ser articulado.

Conduzido por rodas instaladas embaixo da mesa, o Turco era levado até o palco, de modo a mostrar que não havia ali nenhuma passagem secreta. Logo depois, as três portinholas eram abertas, confirmando que não havia ninguém escondido lá dentro. Em seguida, davam corda no boneco e um voluntário era chamado ao palco para uma partida de xadrez.

O Turco vencia todas as partidas e o fascínio que ele produzia se tornava ainda maior quando, após a partida, o tabuleiro de xadrez era trocado por outro com letras e números e os assistentes lhe faziam perguntas que eram respondidas através de combinações no tabuleiro.

À medida que o sucesso da máquina ia se espalhando pela Europa, cresciam também as diferentes versões daqueles que tentavam explicar seu funcionamento e provar que ela se tratava de uma fraude.

Em 1789, o barão Joseph Friedrich zu Rackinitz publicou um texto no qual afirmava que havia um homem no interior da máquina e que era ele quem conduzia as partidas.

Embora estivesse certo, ninguém deu credibilidade à explicação do barão e diversas outras explicações foram sendo produzidas até que, em 1804, com a morte de von Kempelen, o Turco foi comprado pelo alemão Johann Nepomuk Maezel e, durante uma partida com Napoleão Bonaparte, após erros propositais de Napoleão, Johann Allgaier, um dos maiores enxadristas da época, saiu de dentro da máquina.

Anos depois, Maezel decide levar o Turco para a América, encontrando mais uma vez plateias fascinadas com o invento e diversas pessoas que desconheciam seu real funcionamento tentando decifrá-lo. Dentre essas pessoas, em 1836, o escritor Edgar Allan Poe produziu o ensaio “O jogador de xadrez de Maelzel”, no qual afirma que a máquina deveria ser operada por um anão e explica seu funcionamento de modo semelhante ao que já havia sido descoberto na Europa.

Depois de ter sua máquina desmascarada nos Estados Unidos, Maezel vai para o Caribe. Após a morte de seu segundo proprietário, o Turco terá um trágico fim e, em 1854, será destruído em um incêndio no Peale’s Museum da Filadélfia.

Apesar de usar um truque comum de mágica, através do qual um enxadrista talentoso se deslocava dentro da máquina por meio de portas falsas, o invento de von Kempelen gerou fascinação por onde passou. Servindo de inspiração para Edgar Allan Poe criar seu método analítico tão importante para seus contos de raciocínio e histórias de detetive, ou para E. T. A. Hoffmann criar suas histórias de autômatos. Além disso, foi mencionado por Walter Benjamin em sua obra “Teses sobre a filosofia na história” e inspirou diversas obras de ficção científica. Há quem diga, ainda, que a ideia de von Kempelen serviu de embrião para a criação do Deep Blue, supercomputador jogador de xadrez, que foi projetado para jogar contra qualquer jogador do mundo, com a diferença de que o invento de von Kempelen sustentou o embate entre homem e máquina através de uma fraude.

Curiosidade: Entre os jogadores famosos que desafiaram esse personagem, estão Napoleão Bonaparte e Benjamin Franklin. Turco venceu os dois.

O Imperador Francês foi derrotado após realizar três jogadas ilegais. Quando Turco percebeu o terceiro erro, derrubou todas as peças do tabuleiro, decretando, dessa forma, o fim da partida.

Referências:

https://super.abril.com.br/historia/os-truques-de-um-turco/?fbclid=IwAR2ZPcVmp1xeMRnMFQw1YiF3beXyoZ30z2EKlYu4Ih_tw-AYZgXbTjYdtIM

https://observador.pt/especiais/o-enigma-do-automato-turco-que-jogava-xadrez/?fbclid=IwAR1dM9XICMTF_alrSyNY1YGyUCY80RRWFhzBiflcVMVdEBuHg2TpZu9eED0

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/robo-do-seculo-18-bateu-em-napoleao-e-benjamin-franklin-no-xadrez.phtml?fbclid=IwAR3XYIxrbmIm6nZfL0uZ87W_xgyIce2K79PPqKR6n20GA-28xlL8BbTTMvE

MACKNICK, Stephen. “Truques da mente: o que a mágica revela sobre nosso cérebro. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.

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