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Maya Angelou: a voz poética da resistência

Nascida em 4 de janeiro de 1928, na cidade de St. Louis, Illinois, Maya Angelou foi poeta, atriz, cantora, bailarina, jornalista, cozinheira, professora, condutora de bondes e importante ativista na luta por igualdade e garantia dos direitos civis dos negros.

Seu nome verdadeiro era Marguerite Ann Johnson. Ela teve uma infância muito difícil, aos sete anos foi estuprada por um namorado de sua mãe e ficou cinco anos sem falar por causa do trauma que sofrera.

Em sua primeira autobiografia, publicada em 1969, “I know why the caged bird sings” (“Eu sei por que o pássaro canta na gaiola”), Angelou fala sobre o trauma sofrido e sobre a culpa que sentia, pois, seu agressor havia sido assassinado por seus tios: “minha voz o havia matado; eu matei aquele homem porque disse seu nome. E depois pensei que nunca mais voltaria a falar, porque minha voz poderia matar qualquer um…”

Por causa da separação dos pais, Angelou e o irmão passaram temporadas na casa da avó materna, uma mulher muito forte e independente que lhe mostrou desde cedo o que significava ser negra em uma sociedade racista. Foi na casa da avó que, ajudada por uma professora e amiga da família, Maya Angelou recuperou a fala e tomou contato com grandes escritores e artistas feministas, referências fundamentais para os caminhos que seguiria em sua vida.

Aos 16 anos, foi a primeira mulher negra a trabalhar como motorista do transporte público de São Francisco. Logo após terminar a escola, aos 17 anos, Maya teve seu primeiro filho e se viu obrigada a aceitar diversos trabalhos para sustentá-lo sozinha, chegando a trabalhar como prostituta e administradora de um bordel.

Mesmo diante de todas as dificuldades, ela tentou carreira em Hollywood, trabalhando como roteirista, diretora, produtora e atriz. Ganhou três Grammys por discos nos quais declamava seus poemas, dentre eles, “Still I Rise” (“Ainda assim me levanto”), obra que se tornaria símbolo do movimento negro nos Estados Unidos.

Maya foi um ícone da luta contra a segregação racial nos Estado Unidos, tornando-se amiga pessoal de Martin Luther King e Malcolm X. Além disso, na década de 60, encampou missões humanitárias na África.

Ao longo de sua vida, recebeu diversas condecorações, incluindo a Medalha Presidencial da Liberdade, que lhe foi concedida pelo presidente Barack Obama, em 2011. Recitou seu poema “On the Pulse of Morming” (“No pulso da manhã”) na cerimônia de posse do presidente Bill Clinton, do qual se tornaria conselheira.

Faleceu em 28 de maio de 2014, aos 86 anos, deixando uma legado admirável e sete autobiografias nas quais mostrou como o ser humano é afetado pela opressão social, racial e de gênero. Contudo, mesmo diante de todos os obstáculos, Maya Angelou mostrou que ainda é possível se levantar e seguir lutando, conforme afirma em seu mais famoso poema: “[…] Deixando para trás noites de terror e atrocidade/ Eu me levanto/ Em direção a um novo dia de intensa claridade/ Eu me levanto/ Trazendo comigo o dom de meus antepassados,/ Eu carrego o sonho e a esperança do homem escravizado./ E assim, eu me levanto/ Eu me levanto/ Eu me levanto”.

Referências:

López, Alberto. “Maya Angelou: uma vida completa”. El Pais, 04 de abril de 2018. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/04/04/cultura/1522818455_771877.html. Acesso em: 24/01/2020.

ANGELOU, Maya. “Eu sei que o pássaro canta na gaiola”. São Paulo: Editora Astral Cultural, 2018.

WARKEN, Júlia. “Maya Angelou: ativista negra, poeta e mulher revolucionária”. M de Mulher, 04 de abril de 2018. Disponível em: https://mdemulher.abril.com.br/cultura/maya-angelou-ativista-negra-poeta-e-mulher-revolucionaria/. Acesso em: 24/01/2020.

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