Mel, excrementos de crocodilos e cenoura: a história dos métodos contraceptivos

A história da busca por métodos que evitem a contracepção é quase tão antiga quanto a história da humanidade. Em diferentes períodos históricos, tentativas de evitar uma gravidez indesejada foram registradas. Há mais de mil anos antes de Cristo, no Egito Antigo, as mulheres introduziam em suas vaginas pastas compostas com mel e excrementos de crocodilos, que tinham o objetivo de impedir a passagem do espermatozoide.

As mulheres egípcias faziam uso também de um algodão embebido numa pasta de acácia. Ele funcionava como um tampão dentro da vagina e a planta se transformava em ácido lático, atuando como um espermicida.

Na Grécia Antiga, Hipócrates falava a respeito do uso de cenoura selvagem como uma forma de impedir a gravidez. Ela funcionava como uma espécie de pílula do dia seguinte, impedindo a síntese de progesterona.

Há relatos gregos que apresentam a recomendação de que as mulheres prendessem a respiração durante o sexo, assim o esperma não chegaria ao útero.

Por volta de 2000 a.C, as chinesas eram orientadas a beber óleo com chumbo ou mercúrio para evitar a gravidez ou para abortar. O mercúrio deveria ser frito no óleo e a mistura deveria ser bebida de estômago vazio. A prática provocava a morte de muitas mulheres ou as deixava estéreis. 

Na Bíblia, há relatos sobre o coito interrompido. Onân desperta a fúria divina ao derrubar seu sêmen no chão.

Na Idade Média, as mulheres amarravam testículos de roedores nas coxas ou penduravam o pé do animal em um colar colocado no pescoço. Acreditava-se que o uso desses amuletos pudesse impedir uma gravidez. Além disso, havia a crença de que se uma mulher urinasse no local onde uma loba prenha tivesse urinado isso impediria que ela ficasse grávida.

Há divergências a respeito de quando surgiram os primeiros preservativos. É possível encontrar pinturas pré-históricas em que os homens já faziam uso de algo parecido com uma camisinha durante o ato sexual. Egípcios, chineses, gregos e romanos usavam tripas de animais como preservativos.  Historiadores, entretanto, determinaram o século XVI como o momento em que surgiu o preservativo masculino. Criado pelo médico italiano Gabriel Hallopio, ele tinha o objetivo de prevenir doenças como a sífilis.

Camisinha feita com intestino de porco

Outra teoria diz que o médico inglês Condom tenha criado a camisinha em meados do século XVII, como uma forma de evitar que a família real inglesa espalhasse filhos bastardos pelo país.

No ano de 1702, o médico inglês John Marten criou um saco de linho impregnado com um produto que, segundo ele, evitava a concepção e protegia contra doenças venéreas.

Durante muito tempo não se estabelecia relação entre o sexo e a transmissão de doenças. Desse modo, era responsabilidade da mulher evitar a gravidez. As estratégias usadas para isso eram as mais variadas possíveis, levando-a tanto a basear-se em crendices populares, quanto a fazer uso de sumo de limão e vinagre, salsa, mostarda e diversas outras soluções que eram ingeridas ou introduzidas na vagina.

Na metade do século XIX, Charles Goodyear criou o processo de vulcanização da borracha, o que foi muito importante para o aperfeiçoamento dos preservativos até se chegar aos modelos que conhecemos hoje.

A grande revolução dos métodos contraceptivos, entretanto, foi a invenção da pílula anticonceptiva. No dia 18 de agosto de 1960, foi lançado o contraceptivo oral Enovid-10 nos Estados Unidos, o que representou uma grande mudança nos hábitos sexuais do mundo ocidental, permitindo uma maior liberdade sexual para as mulheres e a realização do sexo apenas por prazer. Atualmente, as pílulas são utilizadas por mais de 100 milhões de mulheres em todo o mundo.

Primeira pílula anticoncepcional

Ao longo dos anos, diversos métodos contraceptivos foram sendo criados e a maior parte deles deixa a cargo da mulher a tarefa de impedir a concepção. Os principais métodos atuais são: a camisinha masculina, a camisinha feminina, o DIU (dispositivo intrauterino), o diafragma, a contracepção hormonal injetável, a pílula anticoncepcional, implantes e espermicida. Além disso, há a possibilidade de intervenções cirúrgicas como a laqueadura e a vasectomia.

Referências:

https://pharma.bayer.com.br/pt/areas-terapeuticas/saude-de-a-a-z/contracepcao/metodos-contraceptivos/historia-contracepcao/index.php

https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-01882003000100010

https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/BUBD-A79HA8/1/monografia_luiz_carlos_de_almeida.pdf

https://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2015/05/55-anos-da-pilula-anticoncepcional-como-ela-moldou-o-mundo-em-que-vivemos-hoje.html

https://www.bbc.com/portuguese/geral-48112377

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