O Massacre de Realengo: sangue e morte na sala de aula

No dia 7 de abril de 2011, Wellington Menezes de Oliveira cruzou o portão da Escola Municipal Tasso de Silveira, no bairro do Realengo, no Rio de Janeiro, disposto a matar. Ele portava dois revólveres de calibres 38 e 32 e usava um cinto com speedloaders, um carregador de munições de uso rápido. O resultado de sua ação premeditada foi o assassinato de 12 estudantes.

Wellington era ex-aluno da escola, tinha concluído ali o Ensino Fundamental II e entrou no prédio sob a alegação de que faria uma palestra.  Dentro da escola, ele abriu a porta de uma sala e entrou na aula de Língua Portuguesa da professora Leila D’Angelo.

Em seguida, sacou os dois revólveres e começou a atirar nos alunos. Nos meninos, ele atirava nas pernas e braços, nas meninas, dirigia os tiros para suas cabeças. Além disso, chegou a fazer tortura psicológica com algumas das vítimas, posicionando a arma contra suas testas antes de efetuar os disparos.

O ataque tirou a vida de dez meninas e dois meninos, com idades entre 13 e 15 anos e durou cerca de 20 minutos. Quando o atirador se dirigia para o corredor da escola em busca de novas vítimas, foi atingido na perna e no abdômen pelo sargento Márcio Alves. Wellington caiu na escada e, então, disparou contra a própria têmpora, morrendo imediatamente.

O número de vítimas só não foi maior porque os policiais militares estavam fazendo ronda pelo bairro e se depararam com um aluno tomado de desespero, enquanto fugia do atirador.

Conhecido como Massacre do Realengo, o ataque praticado pelo ex-aluno foi um dos maiores já ocorridos em uma escola brasileira e causou comoção no país inteiro. Além da dor provocada pela violência e pela perda de tantos jovens, ele suscitou uma longa discussão acerca dos motivos que teriam levado Wellington, um jovem de 23 anos, calado e, aparentemente, pacato, a cometer um ato tão brutal.  

As investigações apontaram para o fato de que ele havia sido vítima de bullying na época em que estudou na escola que foi palco de sua chacina. Os investigadores encontraram vídeos e cartas nos quais ele narrava os deboches e humilhações que sofrera na adolescência.

Além disso, ele participava de fóruns de discussão que propagavam ideias terroristas e defendiam atitudes extremas, afirmando que apenas um ato violento seria capaz de expurgar os demônios. Após a perda de sua mãe, Wellington passou a buscar informações sobre treinos de tiro e comprou ilegalmente as duas armas que usou durante os assassinatos.

O atirador deixou uma carta de suicídio na qual fazia referência a passagens bíblicas, mas também ao islamismo. Produziu dois vídeos nos quais destacava o bullying sofrido e a necessidade de lutar contra os cruéis e covardes que abusam da inocência e da bondade daqueles que são considerados fracos. Sua principal mágoa era contra as mulheres, vistas por ele como as causadoras de seus sofrimentos na adolescência.

As investigações concluíram que o ataque havia sido premeditado e que Wellington apresentava uma série de problemas psicológicos que o levaram ao ato extremo, momento chamado por ele de “dia final”, no qual ele colocaria fim à própria vida e também à do maior número possível de jovens, que simbolizariam aqueles que o fizeram sofrer na época em que estudou na Escola Municipal Tasso de Silveira. Para as famílias das vítimas e os sobreviventes do massacre, esta é uma explicação insuficiente, incapaz de preencher a dor eternizada na memória, o trauma jamais esquecido e o vazio deixado por aqueles adolescentes que foram brutalmente assassinados dentro de sua escola, um lugar que deveria sempre ser marcado pela vida, nunca tomado pelo extermínio e pela morte.  

Monumento em homenagem às vítimas

Referências:

https://www1.folha.uol.com.br/especial/2011/tragediaemescolanorio/

ALVES, Amone Inacia “O que a chacina em Realengo tem a nos dizer: uma análise sobre os discursos da violência escolar no Brasil”. Polyphonía, v. 21/2, jul./dez. 2010

https://istoe.com.br/411248_OS+SOBREVIVENTES+DO+MASSACRE+DE+REALENGO/

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