A história de Michael Donald, o último negro linchado pela Ku Klux Klan

A história da morte do jovem negro Michael Donald, evento que mudou para sempre a história do conflito racial nos Estados Unidos

Em 1981, Donald foi o último negro linchado pela Ku Klux Klan. Seu assassinato comoveu milhões de pessoas e colocou, em vias legais, ponto final na terrível e tenebrosa história de linchamentos raciais nos Estados Unidos.

A história tem início na cidade de Mobile, Alabama, após a mudança de local de julgamento de um jovem negro acusado de matar um policial branco da cidade, durante a fuga de um assalto. Os advogados do réu conseguiram a mudança de tribunal, pois alegaram que um negro nunca teria um julgamento justo em um júri numa cidade como Mobile. Transferido de cidade, o jovem negro foi absolvido em um júri que continha a maioria de afrodescendentes.

Com o veredicto, membros da cidade, muitos deles racistas e ligados à Ku Klux Klan, resolveram fazer justiça com as próprias mãos. Um dos líderes do movimento, incitando outros colegas, disse: “Se um homem negro pode se safar matando um homem branco, devemos ser capazes de matar um homem negro”.

Naquela semana, a cidade de Mobile entrou em erupção, membros da Klan saíram às ruas e, em um surto de ódio, queimaram igrejas e espancaram vários negros.

Ao acaso, avistaram o jovem Michael Donald andando em uma rua escura, o garoto voltava para casa depois de comprar para a irmã um maço de cigarros. Os algozes o atraíram para o carro onde estavam, pedindo-lhe indicações de caminhos para um clube local e, então, forçaram Donald, ameaçando-o com uma arma, a entrar no veículo. Os homens foram para outro condado e o levaram para uma área isolada na floresta. Nesse momento, Donald tentou fugir correndo para a floresta. Os algozes o perseguiram, atacaram-no e espancaram-no com paus e pedras. Donald, já desmaiado, recebeu urina, cuspes e muitos pontapés. Já quase morto devido à quantidade de pauladas, atearam fogo ao seu corpo e, por fim, cortaram-lhe a garganta por três vezes, para certificarem-se de que estava mesmo sem vida.

Os restos do corpo de Michael foram pendurados em uma árvore e expostos para todos os habitantes de Mobile.
Na semana seguinte, o chefe de polícia iniciou as investigações. A priori, a autoridade suspeitava que o crime foi cometido por membros da Klan, porém, seus policiais (alguns envolvidos com a organização racista) levaram um suspeito negro até a delegacia e sugeriram a versão de que Donald teria sido morto por conta de uma dívida de droga não paga a um traficante da região.


É nesse momento que entra na história a mãe de Michael Donald, uma mulher de fibra que insistia que seu filho nunca mexera com drogas. A genitora, munida de muita coragem, se locomoveu até a delegacia com supostas provas que incriminavam homens brancos por terem matado seu filho, mas, foi desdenhada pelo chefe de policia e seus policiais e coagida a confessar que o filho realmente era envolvido com tráfico de drogas. Após sair da delegacia, a senhora Donald prontamente procurou o Reverendo Jesse Jackson, um importante militante dos Direitos Humanos, que contactou a imprensa e um grupo de advogados, os quais conseguiram a federalização das investigações, inserindo, dessa forma, o FBI na jogada. Após semanas de investigação, o conhecimento sobre o caso tomou proporção nacional, e políticos e sociedade civil em geral se comoveram com o fato.

Pressionadas por todos os lados, as autoridades decretaram processo de urgência e julgaram 5 culpados pelo crime, três deles foram sentenciados à morte. Foi a primeira vez, em toda a história dos Estados Unidos, que um branco pagou com a pena capital por um crime cometido contra um negro.

A justiça também multou a United Klans of America – uma espécie de associação de todas as Klans – a pagar 7 milhões de dólares à família de Michael, a indenização causou a falência de muitas células da organização racista e “criminalizou” de vez, nos Estados Unidos, os grupos que pregam o ódio racial.

Tudo isso, em 1981.

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