A emocionante história de “Romeu e Julieta de Sarajevo”. Um amor shakespeariano no coração da guerra da Bósnia

Durante o conflito nos Bálcãs, que colocou em lados opostos muçulmanos e cristãos, bósnios e sérvios uma história de amor nos mostra como, até em meio aos maiores infernos, o amor consegue façanhas

Histórias de casais que enfrentam os mais diversos obstáculos para ficarem juntos são muito comuns na literatura. Os dramas vividos por Romeu e Julieta, Simão e Tereza, Abelardo e Heloísa, Iracema e Martim, por exemplo, foram eternizados em páginas de livros e marcaram o imaginário de muitos leitores. Na vida real, no entanto, também é possível encontrar histórias desse tipo, em que o amor leva casais a encararem situações extremas para ficarem juntos.

A história de Bosko Brkic e Admira Ismic é um exemplo desse amor levado às últimas consequências. Conhecidos como “Romeu e Julieta de Sarajevo”, os dois apaixonados tinham tudo para viverem um amor impossível. Ele era sérvio e ela bósnia. Ele era cristão ortodoxo, ela muçulmana. Conheceram-se na adolescência, na época da escola. Beijaram-se pela primeira vez em um bar, na passagem do ano. Era uma época feliz, Sarajevo se preparava para os Jogos Olímpicos de Inverno e o casal mergulhava na descoberta do amor adolescente. Viviam juntos e felizes, mas não contavam que o seu país mergulharia numa guerra sangrenta, que espalharia o ódio étnico e o terror em Sarajevo.

Bosko Brkic e Admira Ismic

Quando as forças sérvias cercaram a cidade e a violência se espalhou, Bosko decidiu que não se juntaria aos rebeldes, embora tivesse cumprido o serviço militar, o que lhe trouxe problemas com seus vizinhos. Com os bombardeios constantes, os dois apaixonados se viram separados pela primeira vez e, tomados de saudade, planejaram uma fuga.

Eles decidiram viver juntos na casa dos pais de Admira, antes disso, porém, precisavam passar uns dias na casa dos pais de Bosko e, para isso, precisariam cruzar a ponte Vrbaja, local marcado pela presença de franco-atiradores e por muito sangue derramado.

Em 19 de maio de 1993, Admira e Bosko tentaram fazer a travessia, entretanto, nunca chegaram ao outro lado. Um disparo acertou a cabeça de Bosko e tirou-lhe a vida, Admira, também ferida, reuniu as últimas forças que tinha para chegar ao corpo do amado e morreu abraçada com ele. Ali permaneceram abraçados por oito dias, pois o conflito não parava e sem um cessar-fogo seria impossível recolher os cadáveres. A imagem dos dois corpos abraçados na ponte correu o mundo e deu origem a um documentário canadense no qual se apresenta a história do “Romeu e Julieta de Sarajevo”.

Os Corpos de Bosko Brkic e Admira Ismic

Três anos depois, os restos mortais de Admira e Bosko foram enterrados lado a lado no Cemitério dos Leões, juntamente com os corpos de milhares de outras vítimas de uma guerra que destruiu muitas vidas e pôs fim aos planos desse casal apaixonado de construírem juntos uma família e viverem plenamente o amor que os uniu ainda na adolescência.

Placa colocada na ponte de Vrbanja para homenagear as vítimas da guerra.

Referências

https://www.acidigital.com/…/papa-percorreu-regiao-de…

http://www.visitar-bosniaherzegovina.com/romeu-e-julieta…/

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/…/os-1425-dias…

https://elpais.com/…/internacional/829087206_850215.html

https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/16533/16533_7.PDF

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