Das maçãs no sovaco ao Tinder: a paquera ao longo da história

Em tempos de Tinder, WhatsApp, Pix Paquera, Personal Paquera e tantas outras possibilidades de encontrar um par, olhar para as estratégias utilizadas no passado para paquerar pode ser uma experiência, no mínimo, inusitada.

Desde sempre, homens e mulheres buscaram formas de cortejar. No século XII, André Capelão já apresentava uma série de regras em seu “Tratado do amor cortês”. Para ele, “a conquista fácil torna o amor sem valor; a conquista difícil dá-lhe apreço”.

A busca pela conquista, seja ela fácil ou difícil, sempre esteve presente na história da humanidade. As estratégias para essa conquista, entretanto, variaram muito ao longo do tempo. No século XIX, na Áustria, por exemplo, durante os bailes, as moças interessadas em casar seguravam fatias de maçã em suas axilas. Ao final da noite, entregavam as fatias para o rapaz que lhes despertasse interesse. Se o escolhido comesse a fruta, era sinal de que correspondia ao interesse. 

No século XVII, os galeses trocavam colheres de madeira para simbolizar que estavam apaixonados. Os rapazes se empenhavam em esculpir colheres cheias de detalhes e beleza. Quando o presente era aceito pela pretendente, era sinal de que o namoro aconteceria.

Na Finlândia do século XIX, as moças com idade para casar usavam uma bainha vazia em seu cinto. Os rapazes interessados colocavam uma faca na bainha da moça. Se ela mantivesse a lâmina consigo, era sinal de que o relacionamento aconteceria, se ela devolvesse, restava ao pretendente procurar outra bainha.

Em diferentes momentos da história, o leque foi uma poderosa arma de paquera nas mãos das mulheres. Cada posição em que ele era colocado trazia um sentido diferente. Há registros de que existiam pelo menos 98 posições diferentes, cada qual com seu significado no jogo do amor.

Se ele estivesse fechado, indicava que o pretendente deveria olhá-la somente de longe. Aberto e imóvel concedia uma aproximação maior. Sobre o peito indicava que o coração da jovem já era daquele que a olhava; na altura dos olhos mostrava o desejo imenso de ver o futuro parceiro. O leque meio aberto, pressionando os lábios, levava o jovem apaixonado ao êxtase, indicando que ele poderia beijar a dama. E, assim, no movimento do leque, casais iam se formando ou corações iam sendo partidos, tudo dependia da posição em que ele era colocado. 

No início do século XX, o footing era uma das melhores maneiras de encontrar o crush. As moças se arrumavam, colocavam o seu melhor vestido e saíam pelas ruas, como se estivessem em um desfile, enquanto os rapazes ficavam parados observando qual delas conquistaria o seu coração, ou andavam na direção oposta, trocando olhares com a pretendente.

Em meio a esse ir e vir de jovens casadoiros, cartões de paquera poderiam ser trocados. Se eles fossem devolvidos com o canto direito dobrado, indicavam um sim. O canto esquerdo dobrado significava não e, se voltasse intacto, era sinal de que poderia haver esperança, mas ela não se concretizaria naquela caminhada. Muitos outros passos pelas praças e avenidas ainda seriam dados até se chegar ao coração da moça.

Atualmente, em meio a matchs no Tinder, “oi, sumida!”, no WhatsApp; “Você é solteira?”, no Messenger; “manda uma foto”, no Direct, e tantas outras frases típicas do jogo da sedução virtual, relacionamentos vão sendo construídos no mundo real, encontros casuais vão sendo combinados, corações vão sendo partidos e a arte da paquera vai se renovando, conforme as práticas sociais de cada época. O fato é que seja com uma maçã debaixo do braço, uma faca na bainha ou muitas pernadas pelas praças e avenidas, todo mundo está procurando seu par, seja para um relacionamento duradouro ou para um momento pontual.

Não importa se você vai ser “atormentado por cuidados de amor”, como diz André Capelão e, com isso, comer menos e dormir pouco, ou se vai apenas ter mais um contatinho em sua lista ou um parceiro momentâneo em sua cama, a arte de paquerar segue firme e a busca por um match ainda move muita gente.

Referências:

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/os-leques-da-seducao-no-brasil-imperio.phtmlhttps://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/a-arte-de-paquerar-ao-longo-dos-seculos-c3x0rcqsc4e9t2wwez3badot2/

https://www.correiobraziliense.com.br/brasil/2021/01/4901345-pix-aplicativo-e-usado-para-paquera-reconciliacao-de-namoro-e-zoacao.html

https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2014/11/24/personal-paquera-da-dicas-de-conquista-para-timidos-e-separados.html

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