Os fatos reais por trás da sinistra história do Flautista de Hamelin

Existem pelo menos 14 versões da história do “Flautista de Hamelin”. Uma das mais conhecidas é a dos irmãos Grimm, segundo a qual a cidade de Hamelin estava infestada de ratos e os moradores já não sabiam mais o que fazer para lidar com o problema. Certo dia, apareceu um flautista de roupas coloridas que se comprometeu a se livrar dos roedores, desde que recebesse um pagamento pelo serviço.

Com a sua música, ele conseguiu levar os ratos para longe da cidade, entretanto, o prefeito se recusou a pagar o valor combinado. Furioso, ele retornou à cidade algum tempo depois e levou embora as crianças que viviam no local, ficando para trás apenas três delas: uma era surda e não ouvia a música do flautista, outra era cega e não conseguia enxergar o caminho que estavam seguindo, a terceira era manca e não conseguia acompanhar os demais.

Há registros históricos que sugerem que esse conto foi baseado em fatos reais. Um indício disso é que, ao contrário de outros contos de fadas, a história do Flautista de Hamelin é situada em um tempo e espaço precisos. A cidade de Hamelin é conhecida mundialmente justamente por causa dessa história eternizada nas páginas dos irmãos Grimm. O conto apresenta como data do desaparecimento das crianças o dia 26 de junho de 1284. Em algumas versões, menciona-se a data de 22 de junho desse mesmo ano.

Segundo relatos históricos, 130 crianças realmente teriam desaparecido durante a Idade Média naquela cidade. Há inscrições nos portões, nas paredes da prefeitura e nos vitrais da igreja que fazem referência ao fato. Uma moeda também teria sido cunhada para lembrar o ocorrido.

Vista panorâmica da cidade de Hamelin

Há várias hipóteses acerca do que aconteceu. Alguns relatos atribuem o sumiço das crianças à peste negra. O flautista estaria contaminado e teria transmitido a doença para muitos moradores do local. Outra versão diz que o conto faz uma alusão à “Cruzada das Crianças”, ocorrida em 1212.

Uma tese bastante aceita é a de que a história remeta à onda migratória provocada por uma forte crise econômica que fez com que muitos alemães partissem para a Europa Oriental.

Há, ainda, uma teoria que relaciona essa história à “praga da dança”, um surto de dança coletiva que aconteceu durante a Idade Média. Grupos de pessoas eram tomados por uma compulsão incontrolável de dançar. Conhecida como Dança de São Vito, a compulsão chegou a provocar mortes porque as pessoas dançavam sem parar ao longo de semanas.

Foi comprovado que no século XIII houve um surto desses no sul de Hamelin, jovens dançaram descontroladamente por longo tempo e foram parar no povoado vizinho. Crianças morreram e as sobreviventes ficaram com tremores permanentes.

Casa do flautista na cidade de Hamelin

Todas as teorias, porém, acabam apresentando falhas, datas que não coincidem ou explicações que não batem. Mesmo sem uma explicação definitiva para a origem de “O flautista de Hamelin”, a única certeza é a de que o conto se tornou conhecido no mundo inteiro e o fato de poder ter sido baseado em uma história real aumenta o fascínio que ele provoca. Despertando interesse não só pela leitura da história, como pela cidade de Hamelin, que se tornou um importante ponto turístico alemão.

Referências:

BROWNING, Robert. O Flautista de Hamelin. 2012. Disponível em: <http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/11443.pdf>.

CASTELLI, Chantal. Guia de leitura para o professor: o Flautista de Hamelin. 2011.

Disponível em: <http://www.edicoessm.com.br/download/?p=/sm_resources_center/guiasleitura/379_Guia_de_leitura_O_flautista_de_Hamelin.pdf>.

https://www.bbc.com/portuguese/vert-tra-54448658

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